preparação das paredes 

 

 

 

Algumas notas, segundo as práticas usadas tradicionalmente e outras por mim experienciadas.

 

Paredes já caiadas

 

 parede já caiada onde foi efectuada uma raspagem profunda

 

Há pelo menos 2 formas de as preparar e que não tem apenas a ver com a qualidade do resultado que se pretende obter, mas também com o tipo de trabalho que foi feito anteriormente e com a qualidade do reboco.

 

1 – Se as paredes são velhas e muito toscas é um erro raspá-las em profundidade, (pois isto vai danificar em profundidade as camadas de cal (que já têm centímetros) e que são a protecção e consolidação do velho reboco. Nestes casos deve-se apenas raspar “levemente” as zonas onde a cal está estalada ou solta “tirar o escafelo”. Se existirem zonas com bolores, verdetes ou fungos devem, estas zonas, ser lavadas com lixivia, seguidas de uma lavagem com água.

 

 aspecto de uma parede caiada onde foi apenas raspada a cal que estava solta

 

2 – Se as paredes já estiverem caiadas, mas as camadas de cal não forem muito espessas e se encontrarem degradadas (soltas, apodrecidas) e o reboco aparentar consistência deve-se proceder a uma raspagem profunda, seguida de uma lavagem com água.

Nas zonas verdes deve ser aplicada lixivia, antes de proceder à lavagem.

 

 

 

 

 

 

 

 parede que tinha cal apodrecida e depois de raspada apresenta  mais contaminação biológica 

 

a mesma parede depois de preparada para caiar

 

As zonas com liquens ou fungos deve ser escovada com escova de arame e limpa com produtos biocidas e posteriormente lavada com água.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 parede com contaminação biológica – antes de ser limpa e depois

 

 

A “lavagem” com água de cal  deve ser feita nas zonas onde o revestimento de cal desapareceu completamente e o o reboco de cal e areia, ou taipa ficou à vista. Isto porque a água de cal ajuda a consolidar o reboco, funcionando como uma espécie de primário.

 

Nota – quando a cal das paredes está intacta, só  é necessário tirar o pó. No caso de paredes exteriores pode optar-se por humedecê-las com àgua antes de caiar, especialmente se a caiação for feita no verão. Isto melhora a aderência da cal ás camadas já existentes e facilita a a caiação.

 

 parede que foi apenas caiada

 
 
Paredes novas

 

parede nova feita com argamassa bastarda (areia,cal,cimento)

 

Nas paredes novas deve proceder-se a uma leve raspagem e limpeza com uma vassoura,  para que a areia que está pouco aderente se solte e algumas imperfeições do reboco sejam retiradas.

O humedecimento com água corrente deve ser feito, especialmente quando as temperturas são elevadas ou as paredes estão quentes. (não se deve caiar a parede quando o sol incide directamente sobre ela)

No caso do reboco ser um reboco de argamassa de cal e se apresentar com uma consistência fraca,  antes da 1ª demão deve ser aplicada uma demão de água de cal.

No caso do reboco estar bem consistente e “apertado”, não é necessária a demão com água de cal, bastando apenas humedecer as paredes com água corrente.

Importante – Em ambos os casos, se as paredes apresentarem buracos grandes, estes devem ser reparados com uma argamassa do mesmo tipo da que constitui a parede.

Se os buracos forem pequenos,  o reboco não se apresentar em degradação e se pretender um acabamento mais tosco, a própria cal da caiação é suficiente para remendar o buraco. Pode ser necessário caiar mais vezes nesse sítio e utilizar uma cal mais grossa, desde que ela seja bem espalhada, de modo a não estalar.

No caso de fissuras, estas não devem ser tapadas com as massas que habitualmente se usam quando se vai pintar com tinta. Nas fissuras a cal deve ser aplicada bem diluida e em várias demão.

 

parede nova com a 1ª de mão (na parte superior da foto)

 
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3 Responses to “– preparação das paredes”


  1. 1 madalena
    13/06/2010 às 16:11

    Também gosto de caiar!

  2. 2 Ivana
    30/06/2011 às 3:13

    Poxa! Adorei seu trabalho em pro da caiacao. Parabens!

  3. 3 JORGE
    30/11/2011 às 10:07

    NÃO PODEMOS DEIXAR “MORRER” ESTA TRADIÇÃO (CAIAR), DESDE A OBTENÇÃO DA CAL VIVA, ÀS TECNICAS DE CAIAR, ETC. NO ALENTEJO HÁ AINDA QUEM SAIBA FAZER TODA A “FILEIRA”. NO BAIXO ALENTEJO, NUMA OBRA DE REABILITAÇÃO, VI ESPESSURAS DE CAL APLICADA EM REBOCO COM 20mm DE ESPESSURA…..


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